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quarta-feira, 19 de agosto de 2026

 



Por que as formigas estão mudando de trabalho e o que isso revela sobre o planeta + https://revistaforum.com.br/meio-ambiente-e-sustentabilidade/formigas-trabalho-planeta/ + FÓRUM 14.08.26

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Formigas podem parecer pequenas demais para influenciar o destino de uma floresta, mas estão por trás de processos fundamentais da Mata Atlântica. Um levantamento com 58 espécies mostra que o avanço do calor pode modificar esse trabalho e, no longo prazo, tornar os ecossistemas menos resistentes às mudanças ambientais.

As conclusões estão no estudo Ant-Mediated Ecosystem Functions Along a Tropical Elevational Gradient, que analisou comunidades de formigas em dez unidades de conservação do Sudeste brasileiro, principalmente na Serra do Mar e em áreas próximas.

Os pesquisadores compararam ambientes de diferentes altitudes e encontraram um padrão curioso. A dispersão de sementes e a predação de outros animais aumentaram nos locais mais quentes. Isso acontece porque a temperatura influencia diretamente a atividade das formigas e, dentro de determinados limites, favorece sua movimentação.

O efeito positivo, porém, pode ser apenas aparente.

Nas áreas submetidas a mais calor, seca e maior oscilação de temperatura, a variedade evolutiva das formigas diminuiu. Isso significa que as espécies presentes nesses ambientes tendem a ser mais próximas entre si, reduzindo a quantidade de linhagens diferentes capazes de desempenhar funções semelhantes.

Essa perda pode deixar a floresta mais vulnerável. Se poucas espécies forem responsáveis por uma determinada tarefa, o desaparecimento de uma delas pode comprometer processos importantes para o ambiente.

As formigas atuam, por exemplo, no transporte de sementes, favorecendo a regeneração da vegetação. Também controlam populações de insetos por meio da predação, movimentam o solo e participam da reciclagem de nutrientes.

Outro resultado chamou a atenção dos cientistas: o maior número de espécies e a atividade ecológica mais intensa foram registrados perto dos 300 metros de altitude. Acima dessa faixa, caiu tanto a quantidade de espécies quanto a dispersão de sementes e a predação.

Nas regiões mais altas, havia menos formigas, mas espécies pertencentes a linhagens evolutivas mais distintas. Isso aumenta o peso ecológico de cada uma delas: perder uma espécie pode significar também perder uma função difícil de ser substituída.

O estudo reforça que proteger a Mata Atlântica em diferentes faixas de altitude é também uma forma de preservar os serviços invisíveis realizados por esses insetos diante do avanço das mudanças climáticas.

 

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