Por que as formigas estão mudando de trabalho
e o que isso revela sobre o planeta + https://revistaforum.com.br/meio-ambiente-e-sustentabilidade/formigas-trabalho-planeta/
+ FÓRUM 14.08.26
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Formigas podem parecer pequenas demais para
influenciar o destino de uma floresta, mas estão por trás de processos
fundamentais da Mata Atlântica. Um
levantamento com 58 espécies mostra que o avanço do calor pode modificar esse
trabalho e, no longo prazo, tornar os ecossistemas menos resistentes às
mudanças ambientais.
As conclusões estão no estudo “Ant-Mediated Ecosystem Functions Along a Tropical
Elevational Gradient”, que analisou comunidades de formigas
em dez unidades de conservação do Sudeste brasileiro, principalmente na Serra
do Mar e em áreas próximas.
Os pesquisadores compararam ambientes de diferentes altitudes e encontraram um
padrão curioso. A
dispersão de sementes e a predação de outros animais aumentaram nos locais mais
quentes. Isso acontece porque a temperatura influencia
diretamente a atividade das formigas e, dentro de determinados limites,
favorece sua movimentação.
O efeito positivo, porém, pode ser apenas aparente.
Nas áreas submetidas a mais calor, seca e maior oscilação
de temperatura, a
variedade evolutiva das formigas diminuiu. Isso significa que
as espécies presentes nesses ambientes tendem a ser mais próximas entre si,
reduzindo a quantidade de linhagens diferentes capazes de desempenhar funções
semelhantes.
Essa perda pode deixar a floresta mais vulnerável. Se
poucas espécies forem responsáveis por uma determinada tarefa, o
desaparecimento de uma delas pode comprometer processos importantes para o ambiente.
As formigas atuam, por exemplo, no transporte de sementes,
favorecendo a regeneração da vegetação. Também controlam populações de insetos
por meio da predação, movimentam o solo e participam da reciclagem de
nutrientes.
Outro resultado chamou a atenção dos cientistas: o maior número de espécies e a
atividade ecológica mais intensa foram registrados perto dos 300 metros de
altitude. Acima dessa faixa, caiu tanto a quantidade de
espécies quanto a dispersão de sementes e a predação.
Nas regiões mais altas, havia menos formigas, mas espécies
pertencentes a linhagens evolutivas mais distintas. Isso aumenta o peso
ecológico de cada uma delas: perder uma espécie pode significar também perder
uma função difícil de ser substituída.
O estudo reforça que proteger a Mata Atlântica em
diferentes faixas de altitude é também uma forma de preservar os serviços
invisíveis realizados por esses insetos diante do avanço
das mudanças climáticas.
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